quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Atualizei pra você...

Confesso que ando um pouco sem voz... me falta inspiração e som.
Mas ouvi a sua voz me chamando e com a licença dos poetas empresto outra voz pra te dizer o que eu diria.


Basta Ouvir Seu Coração
Ivan Lins / Mauricio Manieri


O Sol quente das manhãs
As noites de luar
A vida é tudo o que se quis
Um canto de amor
Mas de repente não há mais música no ar
E tudo é diferente do que você sonhou.

Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração

As lembranças vão surgir
É só você buscar
Abraços e sorrisos
Que ninguém pode apagar
Vão relembrar histórias que você já se esqueceu
Ninguém está sozinho
Se não existe adeus

Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração

Há um lugar em você
Onde está a alegria de viver
Preste atenção no que essa voz diz
Em seu coração
Você não vai se perder.

Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cuba Libre!





Que eu tenho um profundo desprezo por ditadores não é novidade pra ninguém. Qualquer tipo de ditadura, seja ela de direita, esquerda, centro, militar, civil ou outra forma qualquer terá sempre o meu repúdio.
A notícia da renúncia de Fidel Castro soou como música aos meus ouvidos. Fico impressionada quando alguém defende com veemência a forma de governar desse ditador, quero acreditar que essa defesa seja pura e simplesmente fruto da ignorância histórica. É fato que a revolução cubana na década de 50 teve legitimidade, era necessário dar um basta aos desmandos de Fulgêncio Batista, mas perdeu a razão quando a revolução criou o monstro da ditadura cerceando a liberdade do povo cubano. Nada, absolutamente nada, justifica a perda da liberdade. Aqueles que defendem Fidel e o classificam com “Mito Vivo”, deveriam procurar fontes de informações mais confiáveis, onde encontrariam a farsa do sistema de saúde de Cuba, o racionamento de comida (com exceção aos funcionários do governo), o flagelo social que toma conta da ilha, como mercado negro, prostituição, violência, entre outras mazelas só atribuídas aos países capitalistas.
O desconhecimento da real situação da ilha de Fidel causa aos defensores uma visão nublada do regime imposto que impede o sagrado direito de ir e vir e proibi sob pena de prisão a criação de partidos políticos além da censura absoluta da empresa, seja ela local ou internacional, apenas as notícias simpáticas ao regime Castrista é vinculada e repassada ao mundo. Não se fala, por exemplo, da vida nababesca que levam os funcionários do governo que tem inúmeras regalias e mordomias, também não é divulgado os desvios de dinheiro e as contas em paraísos fiscais que são utilizadas pelos poderosos seguidores do famoso “El Comandante” e claro pelo próprio.
Nesses 49 anos de poder o regime cubano matou 12 mil pessoas (esses números são oficiais, estima-se que tenham sido muito mais) que eram contrárias ao regime e em 11 de abril de 2003 três jovens cubanos foram fuzilados porque roubaram uma embarcação que seria utilizada para a fuga da ilha, aliás, as fugas em embarcações improvisadas, muitas vezes feitas de pneus de trator e madeiras velhas tiraram a vida de muitos cubanos que em busca de liberdade e oportunidades se lançavam em mar aberto, correndo todos os riscos.
Por isso, custa-me compreender a admiração que algumas pessoas, ditas cultas tem por Castro e seu sistema de governo.
A renúncia de Fidel ainda não é a solução nem tão pouco a libertação de Cuba, mas certamente já é um passo para a democracia e pelo fim do descabido embargo Americano, que apesar de cruel não é atenuante para os desmandos e opressão vindo das mãos deste facínora que muitos clamam como herói.

Que sea Cuba Libre hasta siempre!

Queridos Amigos

Queridos Amigos
(de Maria Adelaide Amaral - Direção Denise Saraceni)

Há tempos não me emocionava tanto assistindo televisão, talvez porque o assunto me seja presente e ausente...
Vale muito a pena ver, se emocionar, refletir, sentir, aprender, reviver, ouvir....
Além das músicas que vestem e despem.

O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento / Fernando Brant

O que foi feito, amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor
Quisera encontrar
Aquele verso menino que escrevi
Há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
Mais vale o que será
E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que mais podemos crescer
Nós iremos crescer
Outros outubros virão, outras manhãs
Plenas de sol e de luz

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Em qual desses rios, Senhor?


Quando eu sinto que falta algo
Que realmente eu possa amar
Viver é estar livre numa prisão
A felicidade é uma miragem
Meus sonhos uma grande escada
Que não tem princípio, mas tem fim
Em qual desses rios minha nau vai chegar
Num mar de amor que, nunca irá secar
Pro meu coracão, poder se salvar da dor
De estar tão só…
O silêncio cala a minha alma
Minha lucidez se esvai no ar
E o desespero varre meu coração
Enquanto a essência da minha vida
Vibra intensamente em mim
Pede aos ceus a minha direção


NAU
na voz de Pedro Mariano, mas poderia ser sim a minha própria VOZ....

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Jorge Guerreiro



Camafeu Guerreiro
JORGE VERCILLO/PAULO CÉSAR FEITAL

Para defender quem é puro eu brigo

Um capoeira,um Besouro vivo
Banda e rasteira na hipocrisia ,seu Zé
Alma guerreira,corpo franzino
Não quero mais do que é meu no mundo
Se um Camafeu de Oxóssi desce em mim
rabo-de-arraia na covardia seu Zé
que a vida é questão de fé
Oh,meuê,Camafeu vem lá
Oh,meuê,oh meuê,oneomá
Paranauê,Paranuê


Acima, parte da música Camafeu Guerreiro do novo trabalho de Jorge Vercílo
Adorei esta música, principalmente a primeira frase
E para ilustrar, nada melhor que a figura de São Jorge Guerreiro.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Alco e a Gasolina


O poema abaixo é do saudoso Patativa do Assaré (Antonio Gonçalves da Silva - 1909-2002) que na arte do Cordel deu a nossa cultura popular grandes obras.
Este é um dos meus preferidos e um dos mais engraçados. A cultura também pode ser encontrada nas coisas simples do povo simples, na sua vida dura e sofrida. Existe muita sabedoria e verdade nos livretos de cordel, existe muitas outras verdades além dos livros filosóficos e das gigantescas bibliotecas. Existe muita sabedoria escritas na linguagem simplória do povo do sertão... que não conhece grego, nem alemão, mas conhece muito bem as letras do coração.

Apreciem este grande poeta....


O alco e a gasolina
Patativa do Assaré

Neste mundo de pecado
Ninguém qué vivê sozinho
Quem viaja acompanhado
Incurta mais o caminho
Tudo que no mundo existe
Se achando sozinho e triste,
O alco vivia só
Sem ninguém lhe querê bem
E a gasolina também
Vivia no caritó.
*
O alco tanto sofreu
Sua dura e triste sina
Até que um dia ofreceu
Seu amô a gasolina
Perguntou se ela queria
Ele em sua companhia,
Pois andava aperriado
Era grande o padecê
Não podia mais vivê
Sem companhêra ao seu lado.
*
Disse ela: dou-lhe a resposta
Mas fazendo uma proposta
Sei que de mim você gosta
E eu não lhe acho tão feio
Porém eu sou moça fina,
Sou a prenda gasolina
Bem recatada, granfina
E gosto muito de asseio.
*
Se você não é nogento
É grande o contentamento
E tarvez meu sofrimento
Da solidão eu arranque,
Nós não vamo nem casá
Do jeito que o mundo tá
Nós dois vamo é se juntá
E morá dentro do tanque.
*
Se quisé me acompanhá
No tanque vamo morá
E os apusento zelá
Com carinho e com amô,
Porém lhe dou um conseio
Não vá fazê papé feio
Quero limpeza e asseio
Dentro do carboradô.
*
Se o meu amô armeja
E andá comigo deseja,
É necessaro que seja
Limpo, zeladô e esperto,
Precisa se controlá,
Veja que eu sou minerá
E você é vegetá,
Será que isto vai dá certo?
*
Disse o alco: meu benzinho
Eu não quero é tá sozinho
Pra gozá do teu carinho
Todo sacrifiço faço,
Na nossa nova aliança
Disponha de confiança
Com a minha substança
Eu subo até no espaço.
*
Quero é sê feliz agora
Morá onde você mora
Andá pelo mundo afora
E a minha vida gozá,
Entre nós não há desorde
Basta que você concorde
Nós se junta com as orde
Da senhora Petrobá.
*
Tudo o alco prometia.
Queria por que queriá
Na Petrobá neste dia
Houve uma festa danada
A Petrobá ordenou
Um ao outro se entregou
E o querozene chorou
Vendo a parenta amigada.
*
Porém depois de algum dia
Começou grande narquia,
O que o alco prometia
Sem sentimento negou,
Fez uma ação traiçoêra
Com a sua companhêra
Fazendo a maió sugêra
Dentro do carboradô.
*
Fez o alco uma ruína
Prometeu a gasolina
Que seguia a diciprina
Mas não quis lhe obedecê
Como o cabra embriagado
Descuidado e deslêxado
Dêxava tudo melado,
Agúia, bóia e giclê.
*
A gasolina falava
E a ele aconceiava,
Mas o alco não ligava,
Inxia o saco a zomba
Lhe respondendo, eu não ligo,
Se achá que vivê comigo
Tá sendo grande castigo
Se quêxe da Petrobá.
*
E assim ele permanece
No carro a tudo aborrece,
Se a gasolina padece
O chofé também se atrasa
Hoje o alco veve assim
Do jeito do cabra ruim
Que bebe no butiquim
E vai vomitá na casa.
******
******
(mantida a grafia original)
Ano 2001

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Carnaval

Fevereiro ... já estamos sob o reinado de Momo... agora o som que ecoa vem dos tamborins, dos surdos, das caixas... a cuíca com seu choro alegre e os chocalhos trazendo o som do metal, os cavacos ditando os acordes do samba.
A ala das baianas rodando e nos fazendo rodar, as cabrochas, os passistas...
Salve mestre sala... e o charme da porta bandeira.
Agora tudo tem que ser alegria, cor, brilho, plumas e samba... afinal essa é a nossa identidade
O carnaval é definitivamente a nossa cara.


Vai Passar
Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraídasem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
O carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintose os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, o lelê,ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, o lelê,ai que vida boa, o lalá
Vai Passar (Chico Buarque/Francis Hime)