sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"Irmãs"

"Uma jovem esposa estava sentada num sofá num dia quente e úmido,bebericando chá gelado durante uma visita a sua mãe.
Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, a mãe remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para sua filha.
- Nunca esqueça de suas 'Irmãs' , aconselhou!
Serão mais importantes na medida em que você envelhecer.
Independentemente, do quanto você ame seu marido, dos filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de 'Irmãs'. Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com elas ; faça coisas com elas; telefone para elas .
Lembre-se que 'Irmãs' significa todas as mulheres... suas amigas, filhas e também todas as suas demais parentes.
Você precisará de outras mulheres.
Que estranho conselho! Pensou a jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulta. Com certeza meu marido e a família que iniciaremos serão tudo que necessito para dar sentido à minha vida!
Contudo, ela obedeceu à mãe.
Manteve contato com suas Irmãs e anualmente aumentava o número de amigas. Na medida em que os anos se passavam, ela foi compreendendo que sua mãe sabia do que falava....
Na medida em que o tempo e a natureza realizam suas mudanças e mistérios sobre uma mulher, 'Irmãs' são baluartes de sua vida.
50 anos, eis o que aprendi:
O tempo passa...
A vida acontece...
A distância separa...
As crianças crescem...
Os empregos vão e vêem...
O amor fica mais frouxo ou vai embora...
Os homens não fazem o que deveriam fazer...
O coração se rompe...
Os pais morrem...
As carreiras terminam...
Mas... as 'Irmãs' estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre vocês. Uma amiga nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor, e esperando-a de braços abertos...
Todas... amigas, mães, filhas, avós, noras, tias, primas, sobrinhas... abençoando nossa vida!Quando iniciamos esta aventura chamada condição feminina, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante.
Nem sabíamos o quanto precisaríamos umas das outras."
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Com todo o meu amor
a todas as minhas "irmãs"

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Dentro de mim


Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que tem a boca pintada
Que tem as unhas pintadas
Que tem as asas pintadas
Que passa horas à fio
No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo
Que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo
Montado sobre um cavalo
Que ele sangra de espora
Ele é meu lado de dentro
Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que arrasta suas medalhas
E que batuca pandeiro
Que me prendeu em seus laços
Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina
Acho que é bailarina
Acho que é brasileiro
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
(Dentro de mim mora um anjo - Sueli Costa)

domingo, 17 de agosto de 2008

Bahiano Genial


Ai, o amô, ai, ai
Amô bobagem que a gente
Não explica, ai, ai
Prova um bocadinho, oi
Fica envenenado, oi
E pro resto da vida
É um tal de sofrê
O-la-rá, o-le-rê

Oi, Bahia, ai, ai
Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai
Faço o meu lamento, oi
Na desesperança, oi
De encontrá pr'esse mundo
O amô que eu perdi na Bahia,
Vou contá:

Na Baixa do Sapateiro
Encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia
Pediu-lhe um beijo, não deu
Um abraço, sorriu
Pediu-lhe a mão, não quis dar, fugiu

Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade
Meu Sinhô do Bonfim
Arranje uma morena
Igualzinha pra mim
Ai, Bahia, ai, ai

(Na baixa do sapateiro - Dorival Caymmi)
Meus aplausos ao mestre do mar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fazer e ser....



Às vezes precisamos de um sinal físico e um pouco assustador para compreender que está mais do que na hora de ser menos profunda e mais rasa.
Passei boa parte da minha vida sendo profunda, profunda nas minhas relações, no meu trabalho, na minha família, nas minhas convicções morais, políticas... traduzindo... muitas vezes essa profundidade tornou-me uma grande engolidora de sapos e pelo que parece esta prática acabou desenvolvendo uma congestão.
Por que devo aceitar que as pessoas me magoem sem que eu seja merecedora? Por que devo acatar decisões que são contrárias àquilo que penso somente para não contrariar quem quer que seja?
Tenho que perceber que se não posso entender e nem modificar, tenho que ao menos perdoar os mentirosos, os fúteis, aqueles que não se preocupam com o sentimento dos outros, aqueles que puxam o tapete sem o menor constrangimento, aqueles que acham que o mundo gira em torno do seu próprio umbigo, os medíocres, os egosístas, aqueles que valorizam o efêmero, o mutável, o visível.
Tenho que aceitar que não me cabe vestir a fantasia de super-herói sendo que na verdade sou frágil. Tenho que me conscientizar que não moro em Gotan City, que não lanço teias de meus pulsos, que não sei voar e tampouco não sou a mulher-gato para ter sete vidas.
Não vou e nem pretendo me transformar numa pessoa agressiva, severa, respondona, dona da verdade absoluta, busco encontrar dentro de mim a mansidão e não transgressão, compreensão e não julgamento, aceitação dos limites tanto os meus quanto os dos outros, busco descontaminação.
Preciso perceber que minhas experiências são minhas e que nem sempre servem pra quem quer que seja, tenho que respeitar às escolhas dos outros, mesmo que, eu saiba aonde isso vai levar. Não quero mais gritar para ser escutada. Não adianta tentar poupar alguém do sofrimento se essa é a sua opção, da mesma forma que eu aprendi com os meus erros tenho que dar aos outros o mesmo direito de aprendizado, mesmo que isso me machuque, porque não quero ver ninguém sofrer, mas muitas vezes não tenho o poder de evitar isso.
Percebo que infelizmente ao longo de toda a minha história tendo dado mais do que tenho recebido, tenho renunciado mais do que deveria, tenho compactuado com meu silêncio da agressividade das pessoas, no egoísmo de tantos.... algumas coisas me ferem de morte e eu simplesmente boto um azeite de boa qualidade, é claro, e engulo mais um sapinho. Muitas vezes tenho falado sem ser ouvida, tenho opinado sem ser percebida, tenho respeitado sem ser respeitada.
Enfim, não sou a dona da verdade, não tenho a filosofia do mundo, sou frágil, fraca, tenho raiva, às vezes inveja, me magôo, me entristeço, sinto ciúmes, às vezes sou mesquinha, tenho vontade de me vingar, de ofender, concluindo, sou rigorosamente humana, com todas as qualidades e defeitos que são pertinentes a isso.
É evidente que minha essência não será modificada, isso seria impossível e estúpido, continuarei sempre sendo mais serva do que dona da banca, sendo mais recolhimento do que explosão (apesar de muitos pensarem ao contrário), sendo mais amor do que indiferença, mas talvez esteja na hora de olhar um pouco mais para mim, reconhecer-me, cuidar-me, perdoar-me.
A percepção de minha fragilidade física me deu uma visão diferenciada da vida, principalmente reconhecendo minha fraqueza, minha necessidade de ser verdadeiramente querida, reconhecer que preciso de colo, de força que venha de fora pra dentro, exercitar minha resignação diante daquilo que não posso mudar.
Cheguei à conclusão que sou menos forte do que pareço e muito mais fraca do que desejo, mas reconhecer isso já tem um poder transformador.
Amo e sempre amarei a todos com a mesma força e a mesma intensidade, apenas preciso presentear-me com o mesmo amor que dou.
Acho que ser mais rasa com o mundo e mais profunda comigo mesma seja no momento o que preciso fazer e ser.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Aparência



Muito menos forte do que pareço
e
muito mais fraca do que desejo

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Minhas Inteiras Metades



Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que o homem que amo (o meu grande amor)
seja pra sempre amado mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
(Metade - Oswaldo Montenegro)