domingo, 26 de setembro de 2010

Tempo, tempo, tempo....

Cada minuto que passa talvez seja o que nos resta para viver, mas desperdiçamos o tempo como se ele fosse infinito.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tortura

A sala de espera de um dentista, guardada as devidas proporções, poderia ser comparada com o purgatório; sentados naquelas cadeiras, quase sempre desconfortáveis, não sabemos se seremos elevados aos céus ou encarcerados nas profundezas infernais.
O pior de tudo é quando no âmago de nossas expectativas, ouvimos ao fundo, misturado com aquelas típicas músicas orquestradas, o angustiante barulho do monstruoso motor.
As mãos suando, o coração acelerado e para nosso maior desespero, observando nossa terrível agonia, a simpática recepcionista com aquela expressão irônica e com um dissimulado sorrisinho, anda de um lado para o outro, como se em suas mãos estivesse todo o nosso futuro.
Levanta-se o próximo.
Mas espera e novamente o agonizante zumbido da maléfica máquina, que penetra em nossos ouvidos como o som das trombetas que anunciam o juízo final.
Chegado o momento, o dentista com ar próprio dos torturadores, convida-nos a entrar.
Ao entrarmos, deparamos com todo aquele arsenal e de pronto somo convidados a sentar naquela cadeira que mais parece à elétrica, pronta para receber mais um condenado. Naquele exato momento surge em nossas pobres mentes a mais terrível de todas as dúvidas. Qual será o veredicto?
Um aterrorizante tratamento de canal? Uma dolorosa extração do siso? Ou um simples diagnóstico de que nada será necessário fazer, pois nossa dentição poderia ser comparada a do campeão nacional dos Manga-larga Marchador.
Naquela posição constrangedora de pura submissão, ficamos boquiabertos esperando algum sinal que nos leve a crer que nosso sofrimento já está próximo do fim.
Nosso carrasco munido de todos aqueles instrumentos de tortura que com certeza serviriam aos propósitos dos inquisidores medievais começa a anotar em uma ficha, aparentemente inofensiva, o nosso destino.
Depois daqueles instantes onde minutos parecem décadas, a sentença é proferida e a tortura momentaneamente terminada.
Diante de nossa total exaustão, o grande juiz encerra nosso calvário com um sínico sorriso dizendo-nos:
- Boa tarde senhora, até quarta.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que é que é?

E o palhaço o que é?
É ladrão de muié...
Não é não...
Palhaço é gente.
Por trás daquela maquiagem, da roupa colorida, existe um coração igual ao nosso.
Mas... palhaço não chora.
No picadeiro ele leva a alegria a todos, ás crianças leva a fantasia infantil, risos, brincadeiras, leva tapa e ri, cai e ri, pula e ri, brinca, canta e ri; aos adultos trás as lembranças, os sonhos, voltam ao passado e o palhaço ri.
O mágico hipnotiza a platéia que atenta esforça-se para desvendar o mistério, como pode serrar a moça? Cadê o coelho? De onde saiu essa pomba? Sumiu o buquê...
O trapézio, outra magia, momento de expectativa, saltos, pulos, um, dois, três, outro salto mortal. Nossa quanta coragem!
E lá vem ele novamente, o homem-alegria, risos, aplausos, novos truques.
E palhaço não chora.
O espetáculo vai terminar, todos voltam ao picadeiro como uma grande família. Aplausos, aplausos, aplausos...
Fim... apagam-se as luzes, a serragem assenta no chão, silencia a lona.
E o palhaço?
Palhaço chora sim.
Palhaço sente sim.
Tira a pintura, pendura a roupa, limpa a purpurina e chora sim.
Chora de alegria.
Chora de tristeza.
Chora de preocupação.
Chora de solidão.
Chora por amor.
Amanhã as cadeiras do circo pouco a pouco vão sendo ocupadas por várias carinhas, carinhas de crianças, carinhas de crianças crescidas, carinhas de crianças envelhecidas e ele volta, pinta a cara, pula, cai e ri.
Ah! Se o mundo descobrisse a grandeza do palhaço, mas o palhaço não chora...
Palhaço é só alegria.
Palhaço não precisa de ninguém.
Palhaço não precisa de carinho.
Palhaço não pergunta.
Palhaço não recebe.
Palhaço não questiona.
Palhaço só dá.
Palhaço só faz rir.
Palhaço não pode chorar...
Mas tenha certeza, você que vive rindo e que se alimenta da alegria do palhaço.
Palhaço chora sim.
Mas...
Palhaço é amor.
Palhaço é doação.
Palhaço é gente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sonetiando-se

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Soneto do amor total
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O que cabe em 100 anos?

O que cabe em 100 anos?
Cabe tudo e cabem todos, cabe homem, mulher, velho, criança, branco, negro, amarelo, vermelho, rico, pobre, feio, bonito, cabe um bando de loucos.
Cabe título, cabe glória, coube até segunda divisão, mas isso não cabe mais.
Cabe gol de placa, de bicicleta, impedido, legítimo, suado, roubado.
Cabe a Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, festa na favela, cabe Fausto, Marcel, Denis e Rafael, cabe Olivetto, Toquinho, cabe até o presidente.
Cabe Marcelinho, Aldo, Vladimir, Viola, Neto, Sócrates, Ricardinho, Biro-Biro, Ronaldo fenomenal, Dentinho, Rivelino, todos os craques, todos os gênios, cabe carioca, mineiro, pernambucano, cabe o Brasil inteiro, cabe também argentino e outros latinos.
Cabe grito, cabe choro, cabe fumaça, bandeiras, faixas, mosqueteiro.
O que cabe em 100 anos?
Cabe história, cabe torcida, cabe vitória...
O que cabe então debaixo dessa bandeira?
Cabe eu, você, um bando de louco e muita paixão.
100 anos de Corinthians e que venham muitos mais.