Fevereiro ... já estamos sob o reinado de Momo... agora o som que ecoa vem dos tamborins, dos surdos, das caixas... a cuíca com seu choro alegre e os chocalhos trazendo o som do metal, os cavacos ditando os acordes do samba.A ala das baianas rodando e nos fazendo rodar, as cabrochas, os passistas...
Salve mestre sala... e o charme da porta bandeira.
Agora tudo tem que ser alegria, cor, brilho, plumas e samba... afinal essa é a nossa identidade
O carnaval é definitivamente a nossa cara.
Vai Passar
Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraídasem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
O carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintose os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, o lelê,ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, o lelê,ai que vida boa, o lalá
Vai Passar (Chico Buarque/Francis Hime)
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