quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Espelho



Por que será que a imagem que olho no espelho não é a mesma que algumas pessoas enxergam? Fui criada acreditando que o importante, o que deve ser referência, o que deve ser buscado é aquilo que o tempo não pode mudar; então por que a grande maioria confere ao efêmero tanta importância?
Por que o ser humano atual tornou-se escravo daquilo que lhe foi dito como belo, como certo, como normal?
Por que aceitar os grilhões culturais e sociais que impedem de lançar-se ao novo, quebrar paradigmas, invalidar conceitos e preconceitos, lançar-se àquilo que poderá surpreendentemente te fazer feliz?
Por que aqueles que não se enquadram nos estereótipos atuais são relevados a categoria de menores?
Alguns olhos conseguem enxergar além daquilo que vêem, conseguem perceber o que não é transitório, aquilo que é essencial; graças a Deus alguns desses olhos atravessaram o meu caminho e certamente outros atravessarão e isso colabora para que eu continue acreditando naquilo que no colo de meu pai aprendi.
Mas infelizmente parece-me que estes olhos estão ficando cada vez mais raros.
O mais dolorido é ouvir mesmo que de maneira atravessada frases que demonstram o quanto a “forma” é mais valiosa. O que “aparenta” é mais relevante do que aquilo que“é”. Mas angustiante ainda é quando este modo de “enxergar” vem daqueles que nos são próximos ou que estão próximos. Às vezes mesmo sem intenção numa simples brincadeira, uma ferida é tocada dentro de nós. Um comentário despretensioso sobre outro nos fere como se o comentário fosse diretamente para nós.
Claro que esse desconforto nos atinge de forma veemente quando estamos mais sensibilizados, quando nos apresentamos mais frágeis.
Mas apesar de tudo eu ainda acredito que caráter, bom humor, bondade de coração, integridade, lealdade, honestidade, espiritualidade, inteligência, educação e outros tanto fatores essenciais sejam mais importantes que tamanho do manequim, altura, cintura, peitos, idade, status social, posses e outros tantos fatores transitórios.
Apesar destes dias de fragilidade gosto daquilo que vejo no meu espelho.
Minha auto-estima, mesmo que solitária, está protegida.

Um comentário:

Lore disse...

Não se sinta só, minha querida!
Compartilho em gênero, número e grau!
Adoro vc pelo que é!
Por dentro e por fora!
Bitoconas: Lore